Memória da tertúlia literária realizada com a turma LLI-VA2 em 09 de abril de 2015, motivada pelo texto: Estudar – verbo intransitivo? De RONCA, Paulo Afonso Caruso.
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Eu li dois artigos que falam desse assunto, um deles um trecho do livro do Marcos Bagno,no qual ele fala que os alunos na escola serão formados, passarão no vestibular, Pedagogia tem nota de corte baixa, tem muita vaga, muita gente que não está interessada no curso o faz, e ele fala de muitas histórias sobre isso, ele fala também do analfabetismo funcional, onde quem vai dar aulas nem sempre tem um bom nível de leitura. O outro artigo fala da educação na sociedade de consumo e fala que o professor basicamente entrega o conhecimento para o aluno como se fosse uma pedra preciosa para ser guardada, e futuramente o aluno pode repassar essa pedra para alguém, como algo que não deve ser mexido e sim guardado. Depois de ler esse texto conversei com minha namorada sobre isso, porque ela faz história, sobre como se daria a produção de conhecimento no nível fundamental. Só que o ambiente de casa se mostra muito mais propício para elaboração de conhecimento do que a escola, onde um professor tem que tratar em intervalos de uma hora com trinta quarenta alunos.
Concordo com você que o planejamento didático normalmente já chega da forma como se tem que trabalhar, você tem que passar isso e aquilo, livros são complicados, às vezes não tinha, tinha que buscar uma xerox e se não dermos conta de tudo aquilo? E daí, ainda fazer os alunos se interessarem por isso pra produzir conhecimento, é complicado.
O que me chamou a atenção foi mais o que se fala sobre a profissão, em si. Pois quando no texto se fala do menino pobre em comparação com outros que têm tudo. O que estamos a fazer na escola? Será que devemos apenas repetir? Tudo apenas em nome de um Capital. Será que é isso o que precisamos fazer? Porque aquele menino lá no sertão está lá, a atividade dele pode não render um diploma, mas rende uma família com valores morais que a escola não dá. A escola até auxilia mas os valores morais vêm da valorização do ser humano. Poxa! Eu preciso mesmo comprar tanto? O ser humano tem ficado em segundo plano, embora eu veja, sim, um pequeno avanço. A gente tem que ter o cuidado de não apenas repetir tudo isso na sala de aula, pois quem só se interessa em ganhar mais dinheiro pode apenas se transformar em mais um corrupto.
No capítulo do livro do Bagno é dito que estamos apenas a produzir mais analfabetos funcionais, pois apenas se “passa” mais conteúdo, porque temos alunos e não estudantes. Fazer com que o aluno busque mais conhecimento exige mais tempo. E a questão da falta de tempo foi uma que apareceu na escola à qual fomos. Lá um professor substituto que chegou já depois do meio do ano, teve que tratar de um conteúdo do qual os alunos não haviam tido nem dois meses de aula. E a forma dinâmica que o professor buscou para superar isso foi recriminada por outros colegas. E essa é uma das batalhas que temos, os outros e a falta de tempo que existe.
Uma vez o Messias falou em sala de aula que não deixaria um filho dele estudar numa escola particular, eu não entendi isso e passei para outras pessoas, que também não entenderam. Daí eu lendo isso aqui eu me perguntei: porque os pais escolhem essas escolas, por que as escolas exigem tanto? E agora eu posso até explicar para as pessoas um porque disso.
É possível saber a não saber? Sim, porque a repetição que é apenas um decoreba, significa que a pessoa não sabe aquilo, ela só decorou, eu acho que isso responde essa questão, porque a pessoa não tem um raciocínio sobre aquilo.
E aqui no texto diz que se pedirmos para um aluno fazer uma pesquisa ele vai simplesmente copiar, não tem interesse em ir atrás e compreender. A questão da dimensão social do conhecimento nos diz que o que interessa é só passar no vestibular e não porque se aprender ou saber. O garçom que diz ser um mero instrumento do Capital está relacionado com a história de não se entender o que se estuda, só se quer passar no vestibular.
O garotinho lá na praia que fala as coisas sobre os pontos turísticos só sabia aquilo mesmo. Dia desses conversando com algumas pessoas sobre o que fazer para mudar o país, eu disse que só com Educação, mas outros disseram que nem isso, e a Educação será uma grande responsável pela mudança, mas as questões de moralidade, por exemplo, só dentro de uma casa, de uma família é que se pode encontrar parâmetros para a educação de um povo.
Tudo isso que estão falando é uma realidade no Brasil, mas na escola em que eu estudei no ensino médio, a escola trabalhava a autonomia, os alunos buscavam o próprio conhecimento, não era uma coisa comum, então essas coisas que vocês falam está fora da minha realidade de ensino médio, eu não sei explicar, mas era diferente, então, é isso.
Mas, então, que bom, você tem exemplos de como aplicar o que aprendeu. Avaliar um aluno não é verificar os que ele aprendeu, a meu ver o imediatismo é um dos problemas na educação. Ao se tratar de conteúdos quase sem utilidade para o aluno. Seria mais interessante tratar de assuntos mais relacionados à realidade do aluno e dos impactos disso na sociedade.
Educação na sociedade de consumo, uma pedra preciosa, etc, tem também o planejamento que as escolas impõe e o professor tem que se virar, pra não ficar com sentimento de culpa, pois em uma comunidade carente, onde não se tem material e tempo para fazer um trabalho de qualidade, condições de trabalho que nem sempre estão de acordo. Como decorar não é aprender, devemos dar autonomia aos estudantes. São muitas questões que fazem parte da realidade do que é ser professor. Coloca-se como se a escola pudesse resolver todos os problemas, mas penso que o conhecimento não é dividido em partes e a escola não tem tanto tempo com os estudantes quanto as famílias. Muitas coisas são desarranjos históricos, pois quem veio para o Brasil e escravizou uma etnia e dizimou a outra implantou a ideia de que o importante é ter dinheiro. Para mim ter dinheiro é apenas uma forma de abrir mais oportunidades. Com isso o brasileiro não busca conhecimento, busca o imediatismo, e isso é um processo que se vê desde o início da história do Brasil. Muitos foram escravizados e mortos para que alguns tivessem mais lucros, e isso é ensinado na família e na sociedade, porque ter um diploma é mais importante do que saber fazer, pois o importante é ter o diploma e não exatamente saber. O importante é ser portador de um diploma, mas o conhecimento técnico é muito importante. Para entender como posso produzir melhor para a sociedade, eu ainda não sei, pois isso é muito complicado. Quem souber responder pode falar depois da minha fala.
Eu concordo com algumas falas nas quais se disse que a escola trata mais de memorização, não há preocupação com o conhecimento a longo prazo, só o vestibular. Eles não tem preocupação como desenvolvimento do senso crítico e com a opinião sobre o mundo.
Eu também não sei responder a pergunta, porque é muito complicado. O mundo só vai mudar quando as pessoas realmente souberem o conceito de alfabetização. O professor, o aluno e o estado. Porque o estado não propõe uma leitura devida? Põe o que está mais barato.
Eu queria relembrar o que disse o garçom, porque a educação tem sido um mero elemento do Capital. Eu tenho pensado sobre o propósito de se estudar. Penso que não há afinidade entre o que se estuda e os ramos da pesquisa. Estuda-se para se saber o que se passou apenas como história, então há uma certa falta de afinidade com a prática. Digo isso em geral sobre o ensino médio, o Inglês está muito próximo da prática. Podemos usá-lo na prática, mas há algo que impede isso, por exemplo, as pessoas que têm vergonha de falar em Inglês. Ou então, quem fala Inglês se vê perdido por não ter com quem falar. Quanto à estrutura da escola e seu funcionamento vejo que há uma hierarquia dentro da escola, onde alguns senhores acham que sua forma de dar aula é a única e que as formas de outras pessoas devem ser avaliadas sob seus parâmetros. Há alunos que reclamam, e isso gera conflitos em que algumas das partes serão repelidas. Mas, não se faz um estudo sobre isso. Qual seria a relação da vida dos aprendizes com o que eles estudam? Será que a alimentação, o conforto, o bem-estar físico e emocional têm sido vistos? Isso tem sido observado? Ou apenas deve pular fora quem não se adequa às regras do capitalismo? Quem estaria errando na leitura de mundo? Já que existem conhecimentos necessários, pelo menos devemos saber como pesquisar. Acredito que a forma de pesquisa, saber como pesquisar, investir na escola, de forma que os aprendizes saibam como pesquisar, como pegar informação e transformar em conhecimento prático. A sociedade e o governo, deveriam direcionar as áreas do conhecimento para que quem estuda não perca seu tempo e ao final essa pessoa seja aproveitada de alguma forma. Para o indivíduo, para a sociedade e para o governo. E educação tem sido apenas ferramenta do capitalismo. E não só para o governo e nem para a humanidade.
O ensino elitista é o que deve ser decorado, como o que ocorre nas escolas particulares, quando um aluno não fazia o que o professor mandava o professor poderia até bater no estudante, nessas escolas, o que era até reforçado por alguns pais. Sobre essa parte do texto que fala do ensino elitista, onde o professor faz só os alunos decorarem o conteúdo, daí eu me lembrei do Paulo Freire que fala da educação bancária, e não deveria ser dessa forma. Porque o aluno deve saber porque ele está aprendendo. E isso não deveria ser assim.

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