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Análise II - Caso de Marina

Análise referente ao texto 'Caso de Marina'

Foto da Internet
Marina tinha, na sua infância, uma representação muito forte do que seria sua vida no futuro, através da vida de seus pais, que era bastante simples e limitada, eles viviam uma vida que, segundo alguns autores vistos nas reflexões anteriores, seria uma realidade sem "Cultura", devido a sua condição social, que era muito carente e desprovida financeirametne. Porém, Marina tomou para si valores distintos de seus irmãos, que também partilhavam do mesmo ambiente familiar, todos eles deveriam ajudar na venda do pequeno comércio da família, mas Marina começou a ter olhares diferentes no meio em que vivia, devido a seu desenvolvimento com a comunidade cristã e escolar. Denys Cuche afirma que o que nos torna diferentes uns dos outros é a forma como lidamos com as situações expostas a nós e qual valor daremos a isso.
O filósofo Max Weber diz que o trabalho daria sentido à vida de um indivíduo, de acordo com hábitos que uma classe pegaria para si e os relacionassem aos seus estilos devida. No caso analisado, Marina tomou para si gosto de participar ativamente da catequese e desenvolver papeis que dessem significado a sua vida.

Marina reuniu todos os conhecimentos passados a ela por meio de sua relação com as pessoas apresentadas a ela na catequese e se encarregou de produzir mais atividades que dessem continuação as ações desse grupo. Dessa forma, Marina iria deixar sua marca naquele espaço e repassaria seus conhecimentos a outras gerações. Esse registro sobre marina pode ser baseado no que diz o filósofo Alexei Leontiev. com ele vimos que o ser humano busca reunir todas as suas riquezas construídas para que, a partir disso, possa se  produzir sua essência, assim o conhecimento é deixado de uma geração a outra.

No que diz respeito a escolarização de marina, vimos que foi através de uma escola municipal que ela melhor desenvolveu seu senso de criação e a possibilidade de ser uma aluna ativa em suas produções escolares. Ao passo que a escola de classe mais privilegiada Marina era reprimida por um sistema mais enrijecido, que não dava possibilidade para que os alunos repensassem suas próprias práticas e fossem seus próprios criadores. Em tudo isso é possível perceber a contribuição de Foucault, que diz que um sujeito pode mudar de posições dentro de uma prática discursiva, pois Marina chegou a reprovar na escola que era conhecida por muitos como a melhor, mas, bastou mudar sua forma de ver a escola que sua prática e discurso mudaram. Ela conseguiu estabelecer, assim, uma relação significativa com as atividades comunitárias no meio em que ela vivia, o que dá base aos fundamentos de Kant.

Já que Marina conseguiu um lugar de destaque, se comparada com seus irmãos, poderia se dizer, segundo Benveniste, que ela conseguiu chegar onde chegou por ter desenvolvido sua subjetividade individualmente? Seria necessário destacar também que, para Bakhtin e Volochinov, o sujeito seria um ser histórico e carregado de marcas que trazem seu local onde ele discursa, assim como Marina, sempre carregará sua bagagem reunida.

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O caso de Marina pode ser lido clicando aqui.
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Referências

BAKHTIN, M. Volochinov. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Tradução: Michel Lahud. 6ª Ed. São Paulo: Hucitec, 1992, p. 196;
BENVENISTE, Émile. Da subjetividade na linguagem. In: BENVENISTE, Émile. Problemas da Linguística Geral I. Campinas: Pontes, 1988, p. 284-293;
CUCHE, Denys. A noção de Cultura nas Ciências Sociais. Bauru, SP: EDUSC, 2002.  Capítulos 1 - 7;
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução: Luiz Felipe Baeta Neves. Petrópolis: Vozes, 1972, p.260;
KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Membros de discussão Acrópolis. 19 de novembro 2009;
LEONTIEV, Alexis Nikolaevic. O desenvolvimento do psiquismo. São Paulo: Morais s/d.

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